A Copa do Mundo 2026 abre com México contra África do Sul em meio a tensões políticas que obscurecem o esporte
A Copa do Mundo mais politizada da história começa quinta-feira com um recorde de 48 seleções em três países-sede, mas os preços recordes de ingressos e a política imigratória dos EUA lançam uma sombra sobre o torneio.
A Copa do Mundo FIFA 2026 começou quinta-feira com México enfrentando África do Sul no que já está sendo descrito como a edição mais carregada politicamente do torneio global de destaque do futebol.
Pela primeira vez, três nações —Estados Unidos, Canadá e México— são coanfitriões da competição, que também expandiu seu campo de 32 para 48 seleções nacionais.
O formato expandido significa que mais de 100 jogos serão disputados ao longo de aproximadamente cinco semanas, atraindo milhões de espectadores para os estádios em toda a América do Norte. Os organizadores apresentaram a mudança de formato como a abertura histórica do torneio para mais nações futebolísticas do mundo, particularmente da África, Ásia e Américas.
Os preços dos ingressos para a edição 2026 são os mais altos na história do torneio, de acordo com reportagens, levantando preocupações sobre se o evento é financeiramente acessível para torcedores comuns e para simpatizantes que viajam de nações menos prósperas. A barreira de custo foi citada como um obstáculo significativo para muitos possíveis participantes.
Além da economia, as políticas de aplicação de imigração dos EUA atraíram críticas internacionais severas. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu aos Estados Unidos que revissem suas medidas de imigração durante o torneio, alertando que as políticas atuais correm o risco de lançar "uma sombra" sobre o evento. A declaração reflete ansiedade generalizada de que torcedores e jogadores de certos países poderiam enfrentar dificuldades para entrar nos Estados Unidos.
Meios de comunicação brasileiros centristas caracterizaram amplamente o torneio como únicamente politizado, com comentários observando a dupla novidade do campo expandido e o arranjo de sediagem de três nações. A cobertura da CNN Brasil enfatizou a dimensão humanitária, destacando a intervenção da ONU, enquanto a G1 enquadrou o panorama geral como um de barreiras financeiras e políticas que enfrentam um evento destinado a ser uma celebração global.
No aspecto futebolístico, o árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio foi selecionado para arbitrar a partida de abertura. Com mais de 440 partidas nacionais em seu nome, sua designação o aproxima de um recorde brasileiro para a maioria de aparições em Copa do Mundo por um árbitro do país.
A escolha do Estádio Azteca do México para a partida de abertura carrega seu próprio simbolismo: é um dos locais mais históricos do futebol e está sendo usado novamente décadas depois de sediar jogos em torneios anteriores. A participação da nação-sede na partida de abertura adiciona outra camada de significância a um dia que será observado por centenas de milhões em todo o mundo.
O que resta a ser visto é se as controvérsias fora de campo —a aplicação de imigração, a acessibilidade de ingressos e o pano de fundo político das políticas da administração Trump— continuarão gerando manchetes conforme a fase de grupos se desenrola, ou se os resultados em campo eventualmente dominarão a narrativa. A FIFA não comentou publicamente sobre o pedido da ONU relativo à política imigratória dos EUA.