Julgamento do irmão do PM espanhol entra em fase de veredicto após testemunhas contraditórias
Um tribunal de Badajoz pesa um único relatório de inteligência policial contra aproximadamente cinquenta depoimentos de testemunhas em um caso que tem ensombrecido o governo de Pedro Sánchez.
O julgamento por fraude de David Sánchez, irmão do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, passou para sua fase de veredicto nesta semana após a Audiência Provincial de Badajoz encerrar os procedimentos orais. A sentença não é esperada antes do final de julho e pode se atrasar até setembro dado o volume de trabalho do tribunal, deixando um caso politicamente carregado em limbo legal durante o verão.
David Sánchez foi acusado de ocupar um cargo de coordenação cultural financiado com fundos públicos na Diputação de Badajoz que críticos alegam ter sido criado para lhe fornecer um salário e benefícios sem deveres substanciais. Promotores de justiça e acusadores privados se basearam fortemente em um relatório compilado pela Unidade Central Operativa (UCO) da Guarda Civil como a base probatória fundamental do caso contra ele.
A tensão central perante o tribunal é se esse documento da UCO supera o corpo de depoimentos ouvidos durante o julgamento. Testemunhas de defesa — totalizando cerca de cinquenta, segundo relatos sobre os procedimentos — contestaram as conclusões do relatório, oferecendo relatos que a defesa apresentou como expondo fraquezas na narrativa dos acusadores.
El País, que em geral ofereceu cobertura mais equilibrada do caso, enquadrou a deliberação como uma questão legal simples: se o tribunal dará precedência ao relatório de inteligência policial ou aos depoimentos que surgiram no julgamento, observando que os relatos de testemunhas questionavam os fundamentos do documento.
El Mundo, cuja cobertura foi mais incisiva em sua caracterização do réu, destacou o que descreveu como peças-chave da prova da acusação: e-mails interceptados, atas que alegou terem sido alteradas, depoimento de uma testemunha descrita como candidata a um cargo, e detalhes sobre um arranjo de moradia vinculado ao acusado. A publicação enfatizou esses elementos como centrais às acusações.
O caso tornou-se um elemento recorrente no debate político espanhol devido à relação familiar do réu com o primeiro-ministro. Os partidos de oposição, particularmente o Partido Popular, usaram repetidamente os procedimentos para pressionar o governo sobre questões de nepotismo e o uso de recursos institucionais regionais. O governo e o primeiro-ministro negaram consistentemente qualquer irregularidade e caracterizaram o caso como politicamente motivado.
A Diputação de Badajoz, um órgão administrativo provincial, é governada pelo Partido Socialista Operário Espanhol, o próprio partido de Pedro Sánchez. Essa conexão tornou o caso um ponto recorrente de atrito entre a coligação governante e a oposição de centro-direita durante toda a atual legislatura.
Com o tribunal agora em deliberação, o resultado e seu cronograma permanecem incertos. Um veredicto no final de julho chegaria durante a época de descanso político da Espanha; um adiado para setembro coincidiria com a retomada do parlamento e o governo enfrenta um novo calendário legislativo de outono, amplificando quaisquer consequências políticas que a sentença carregar.